Arte urbana e cultura de rua na São Paulo dos anos 1980: circulação da cena independente e construção de linguagens visuais no período pré-digital
DOI:
https://doi.org/10.62507/issn.2176-6479.v50i1.804Palavras-chave:
cultura visual, underground, arte urbana, antropofagia, graffitiResumo
O presente artigo investiga a formação de uma cultura visual underground independente na cidade de São Paulo du- rante os anos 1980, compreendendo o período como um ambiente de intensa produção estética coletiva, marcado pela transição política do fim da ditadura militar, pela limitação dos fluxos informacionais internacionais e pela exploração do es- paço urbano como suporte de circulação cultural. O estudo analisa manifestações como graffiti, pichação, fanzines, cartazes, capas de discos, camisetas, quadrinhos independentes, música urbana e intervenções gráficas como sistemas autônomos de comunicação e formação simbólica. O artigo propõe compreender a cena underground paulistana como um ecossistema de pedagogia visual informal e resistência cultural urbana, articulando referências de Darcy Ribeiro, Oswald de Andrade, Paulo Freire, Michel de Certeau e Dick Hebdige. Defende-se que a precariedade tecnológica e o acesso fragmentado à informação estrangeira contribuíram para o desenvolvimento de linguagens brasileiras próprias, produzidas através de processos de apropriação, reinvenção e antropofagia cultural.
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