O PUNK DOMESTICADO: QUANDO A IMAGEM SUPERA A MENSAGEM EM BOB CUSPE
Palavras-chave:
Bob Cuspe, Angeli, indústria cultural, quadrinhos brasileiros, animação brasileiraResumo
O presente artigo investiga a trajetória do personagem Bob Cuspe, criação do cartunista Angeli, como uma expressão da contracultura e da resistência à censura no Brasil durante os anos 1980. Inicialmente concebido como uma projeção simbólica do autor, Bob Cuspe ultrapassou as intenções originais de Angeli, tornando-se um ícone popular cuja imagem passou a se sobrepor à sua mensagem crítica. Essa transfiguração do personagem, de símbolo de subversão a produto de consumo cultural, revela as contradições entre rebeldia e mercado na cultura midiática brasileira. A reflexão se estende ao longa-metragem Bob Cuspe – Nós Não Gostamos de Gente (2021), que tematiza o conflito entre criador e criatura, apresentando Angeli em confronto com o próprio personagem que tenta eliminar. Nessa perspectiva, discute-se o processo de autodesconstrução autoral e o esvaziamento simbólico da transgressão, refletindo sobre os limites da crítica social quando a imagem do subversivo é assimilada pela indústria cultural.
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