O PUNK DOMESTICADO: QUANDO A IMAGEM SUPERA A MENSAGEM EM BOB CUSPE

Autores

  • Marcus Vinícius Guio de Camargo Anhembi Morumbi University image/svg+xml

Palavras-chave:

Bob Cuspe, Angeli, indústria cultural, quadrinhos brasileiros, animação brasileira

Resumo

O presente artigo investiga a trajetória do personagem Bob Cuspe, criação do cartunista Angeli, como uma expressão da contracultura e da resistência à censura no Brasil durante os anos 1980. Inicialmente concebido como uma projeção simbólica do autor, Bob Cuspe ultrapassou as intenções originais de Angeli, tornando-se um ícone popular cuja imagem passou a se sobrepor à sua mensagem crítica. Essa transfiguração do personagem, de símbolo de subversão a produto de consumo cultural, revela as contradições entre rebeldia e mercado na cultura midiática brasileira. A reflexão se estende ao longa-metragem Bob Cuspe – Nós Não Gostamos de Gente (2021), que tematiza o conflito entre criador e criatura, apresentando Angeli em confronto com o próprio personagem que tenta eliminar. Nessa perspectiva, discute-se o processo de autodesconstrução autoral e o esvaziamento simbólico da transgressão, refletindo sobre os limites da crítica social quando a imagem do subversivo é assimilada pela indústria cultural.

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Biografia do Autor

Marcus Vinícius Guio de Camargo, Anhembi Morumbi University

Doutorando (bolsista institucional por mérito acadêmico) e mestre (bolsista CAPES) em Comunicação pela Universidade Anhembi Morumbi. Especialista em Produção Executiva e Gestão de Televisão pela FMU-FIAM/FAAM, atua como professor de graduação e pós-graduação no Centro Universitário Belas Artes de São Paulo, entre outras universidades paulistanas.

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Publicado

17-04-2026

Como Citar

CAMARGO, M. V. G. de. O PUNK DOMESTICADO: QUANDO A IMAGEM SUPERA A MENSAGEM EM BOB CUSPE. Revista Belas Artes, [S. l.], v. 48, n. 2, p. 121–138, 2026. Disponível em: https://revistas.belasartes.br/revistabelasartes/article/view/750. Acesso em: 30 abr. 2026.