AINDA ESTOU AQUI: AS CONTRIBUIÇÕES DA DIREÇÃO DE ARTE PARA A REPRESENTAÇÃO DO CONTEXTO HISTÓRICO E IMERSÃO ESTÉTICA E SIMBÓLICA DO ESPECTADOR

Autores

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  • Sérgio Ricardo Lessa Ortiz Centro Universitário Belas Artes de São Paulo image/svg+xml

Palavras-chave:

direção de arte, cinema brasileiro, ditadura militar, estética visual, cenografia, figurino

Resumo

O artigo analisa o papel da direção de arte no filme Ainda Estou Aqui (2024) como elemento fundamental para a reconstrução histórica e para a produção de uma experiência estética e sensorial capaz de envolver o espectador. O estudo examina como cenografia, mobiliário, objetos de cena, cores, texturas e figurinos, articulados pela equipe liderada por Carlos Conti, contribuem para representar o contexto da ditadura militar brasileira e traduzir visualmente as emoções das personagens. Como método, o trabalho realiza uma análise fílmica qualitativa, combinando pesquisa iconográfica e bibliográfica sobre história do mobiliário, teoria das cores, estudos de percepção visual e referências históricas do período retratado, além de incorporar trechos de uma entrevista com a produtora de cena Paloma Buquer. Os resultados evidenciam que as escolhas visuais atuam como dispositivos narrativos que reforçam tensões políticas, afetam a leitura emocional das cenas e aproximam o público da experiência subjetiva da família Paiva. Conclui-se que a direção de arte, quando guiada por pesquisa rigorosa e repertório consistente, constitui não apenas ferramenta estética, mas força discursiva capaz de construir memória, significados e atmosferas essenciais para a compreensão sensorial do filme.

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Biografia do Autor

Bruno Gabriel de Oliveira Silva, Centro Universitário Belas Artes de São Paulo

Arquiteto e urbanista formado pela Universidade de Itaúna, com pós-graduação em Cenografia e Figurino pelo Centro Universitário Belas Artes de São Paulo. Atua na área de arquitetura e vem expandindo sua prática e pesquisa para os campos da cenografia e da direção de arte, desenvolvendo projetos arquitetônicos e cenográficos que investigam o espaço como linguagem estética, simbólica e perceptiva. Atualmente, dedica-se a pesquisas e processos criativos que aproximam a arquitetura das artes visuais e cênicas, refletindo sobre o espaço como elemento expressivo e mediador entre corpo, tempo e narrativa.

Sérgio Ricardo Lessa Ortiz, Centro Universitário Belas Artes de São Paulo

Arquiteto e urbanista formado pela Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo, com mestrado e doutorado em Artes pela Universidade de São Paulo. É sócio do escritório SLH Arquitetos Associados, com atuação destacada nas áreas de arquitetura, paisagismo e urbanismo, desenvolvendo projetos de diferentes escalas e complexidades em diversas regiões do país. Atualmente, é professor do Centro Universitário Belas Artes de São Paulo, onde integra a coordenação do curso de Arquitetura e Urbanismo. É também coordenador de cursos de pós-graduação nas áreas de Design de Interiores, Cenografia e Figurino e Direção de Arte em Comunicação, articulando práticas contemporâneas de projeto, inovação pedagógica e aproximação com o mercado profissional.

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Publicado

17-04-2026

Como Citar

SILVA, B. G. de O.; ORTIZ, S. R. L. AINDA ESTOU AQUI: AS CONTRIBUIÇÕES DA DIREÇÃO DE ARTE PARA A REPRESENTAÇÃO DO CONTEXTO HISTÓRICO E IMERSÃO ESTÉTICA E SIMBÓLICA DO ESPECTADOR. Revista Belas Artes, [S. l.], v. 48, n. 2, p. 4–42, 2026. Disponível em: https://revistas.belasartes.br/revistabelasartes/article/view/745. Acesso em: 30 abr. 2026.