AINDA ESTOU AQUI: AS CONTRIBUIÇÕES DA DIREÇÃO DE ARTE PARA A REPRESENTAÇÃO DO CONTEXTO HISTÓRICO E IMERSÃO ESTÉTICA E SIMBÓLICA DO ESPECTADOR
Palavras-chave:
direção de arte, cinema brasileiro, ditadura militar, estética visual, cenografia, figurinoResumo
O artigo analisa o papel da direção de arte no filme Ainda Estou Aqui (2024) como elemento fundamental para a reconstrução histórica e para a produção de uma experiência estética e sensorial capaz de envolver o espectador. O estudo examina como cenografia, mobiliário, objetos de cena, cores, texturas e figurinos, articulados pela equipe liderada por Carlos Conti, contribuem para representar o contexto da ditadura militar brasileira e traduzir visualmente as emoções das personagens. Como método, o trabalho realiza uma análise fílmica qualitativa, combinando pesquisa iconográfica e bibliográfica sobre história do mobiliário, teoria das cores, estudos de percepção visual e referências históricas do período retratado, além de incorporar trechos de uma entrevista com a produtora de cena Paloma Buquer. Os resultados evidenciam que as escolhas visuais atuam como dispositivos narrativos que reforçam tensões políticas, afetam a leitura emocional das cenas e aproximam o público da experiência subjetiva da família Paiva. Conclui-se que a direção de arte, quando guiada por pesquisa rigorosa e repertório consistente, constitui não apenas ferramenta estética, mas força discursiva capaz de construir memória, significados e atmosferas essenciais para a compreensão sensorial do filme.
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