POLÍTICAS DO ESPAÇO: A QUESTÃO DO CONFORTO NA INSTITUIÇÃO DA MORADIA
Palavras-chave:
políticas públicas, conforto, moradia, classificados imobiliários, São PauloResumo
Este artigo busca analisar como o poder discursivo e a ação efetiva do Estado, por meio de políticas públicas do espaço e da instituição do conforto na moradia higiênica e salubre, agiram na manutenção dos espaços urbanos e na projeção de valores instituídos para satisfazer os interesses privados na construção hegemônica da cidade de São Paulo no final do século XX. Busca, também, compreender como se deram esses processos históricos de regulação do planejamento da cidade, que tinham como principal objetivo estabelecer fronteiras e demarcar territórios, delimitando espaços de admissão e exclusão para as classes sociais. De que forma essa prática, que se consolidou por meio de parâmetros de salubridade, higiene e habitabilidade, segregou a cidade mediante valores esteriotipados e estigmatizados dos espaços públicos, criando uma lógica de supervalorização dos espaços privados. Dessa forma, por meio da análise dos classificados imobiliários dos jornais Folha de São Paulo e O Estado de São Paulo (1986-1995), podemos identificar, no escopo desses anúncios, a preocupação em afirmar a autonomia desses espaços privados, ao mesmo tempo em que eram enaltecidas as características de valorização realizadas pelo entorno, por meio da representação de plantas de localização que indicavam as vias de acesso facilitadas, os centros comerciais ou a proximidade a parques e praças públicas. Além disso, existia, nesses anúncios, a preocupação em delimitar os acessos por meio da instituição de áreas sociais e áreas de serviços, indicando que, assim como nos espaços públicos, nesses espaços privados também existia a mesma lógica de admissão e exclusão das classes sociais.
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