A PRESENÇA DA NEGRITUDE NA ECONOMIA CRIATIVA DE SÃO PAULO
Palavras-chave:
Moda, Arte, Música, Economia criativa, Cultura negraResumo
Este artigo objetiva localizar os desfiles da marca LAB, que aconteceram na São Paulo Fashion Week, entre 2016 e 2017, enquanto prática artística audiovisual que celebra conquistas da negritude com estratégias estéticas antirracistas, dentro do contexto da cidade de São Paulo como uma cidade criativa, operando a favor da transformação das estruturas sociais, visibilizando referências não contempladas nos circuitos culturais hegemônicos. O ponto de partida para essa contextualização é estabelecer a fronteira entre criatividade e criação: enquanto a criatividade é vista como ato isolado, uma faculdade intrínseca ao ser humano, a criação, por se tratar de um ato extraordinário, tem forte ligação com a intenção do autor. A partir dessa conceituação, entende-se que é com a organização das novas produções geradas a partir da criatividade, fomentada pela propriedade intelectual, que surge uma nova economia – a economia criativa –, versando sobre tarefas fundamentadas no conhecimento, na cultura e na arte e integrando vertentes econômicas, culturais e sociais. Conceitua-se que o que confere à cidade o status de criativa é, entre outros fatores, a promoção de um novo ciclo de desenvolvimento pautado pela diminuição das desigualdades e pela inclusão socioeconômica, compreendendo-se a cultura para além de sua dimensão simbólica da vida social como fator essencial para a elaboração de projetos artísticos coletivos e de políticas públicas. Assim, entende-se o aprendizado da cultura como processo de socialização e significação por meio do qual os sujeitos elaboram seu comportamento, exercitam a criatividade e desenvolvem sua capacidade artística e profissional, oferecendo elementos para que possam apropriar-se de sua história, ter consciência de seu passado e projetar o futuro. Portanto, ao estimular reflexões sobre novos usos e interpretações de símbolos da cultura negra em suas produções de moda, pode-se concluir que a LAB permite a elaboração de novas redes intelectuais de conhecimento etnográfico, reverberando em configurações atualizadas de identidade e pertencimento, colaborando para a formatação de uma economia criativa para a cidade de São Paulo.
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