IMAGENS DE GUERRA: ESVAZIAMENTO E DESSENSIBILIZAÇÃO DAS IMAGENS-FLUXO
DOI:
https://doi.org/10.62507/a21.v25i2.670Palavras-chave:
imagem- fluxo, fotografia de guerra, estética da violência, dessensibilização, comunicação digitalResumo
O artigo propõe uma reflexão crítica acerca do processo de esvaziamento simbólico e dessensibilização provocado pela recorrência de imagens de guerra no ambiente digital. A partir do conceito de imagem- fluxo (TAGÉ, 2024), discute-se como a repetição e velocidade das imagens nas redes diluem sua potência documental e dramática. Com base nos conceitos de pós-fotogra a, a partir do embasamento de Fontcuberta (2020) e Rouillé (2013), este trabalho propõe um olhar para a lógica das imagens no contemporâneo. Neste processo, apontamos para uma crise da imagem, questão apoiada conceitualmente por Sontag (2003). O trabalho analisa a retroalimentação entre realidade e cção na construção da estética da guerra, observando a circulação de imagens em diferentes suportes – fotografia, portais de notícia, cinema e videogames. Ao comparar registros históricos, como os de Robert Capa, com suas ressignificações ccionais e contemporâneas, é possível verificar como a violência se torna familiarizada no imaginário coletivo. A guerra, transformada em espetáculo visual e conteúdo cotidiano, revela uma crise do punctum (BARTHES, 1984) e da imagem-documento, abrindo espaço para uma cultura de consumo visual marcada pelo embotamento sensível.
Referências
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